25 de jun. de 2025

Minha honestidade é uma foice, bondades e moralismos são ceifados como se grama fossem. Diante de mim apenas eu e meu reflexo, para alem de mim tudo que há não é convexo. Me visto como sou porém não sou o que estou e sim o que restou de mim depois de ser o que precisava ser. Não tenho nada, nem ninguém, não temo nada nem poréns. Estou sozinho, no borbulho do meu orgulho e no auge da minha solidão, aqui nada me alcança e não devo nenhum sermão. Já não enxergo mais a realidade, já não acredito em verdades, já não há nada que possa invadir uma alma devastada como a minha. Eu aceito o poder que é ser inacabado, aceito tamanha insatisfação que me consome, sou sujeito do inexistível, sim, isso mesmo, viver é uma inexistência irresistível, é me tornar nada para os outros tantas vezes, que já não sei se devo ser algo. Quero bancar a vermelhidão dos hematomas que a vida presenteia, é horror, é sangue, é carne, é violência. Queria num suspiro me desfazer completamente e noutro montar no meu cavalo alado e partir em direção ao reinado daquilo que é mais sagrado, meu coração narcísico, minha partitura, meu pavor de mim, meu irreconhecível e devastado amor.