11 de fev. de 2024

Porque era eu que o elevava pela cintura, sendo seu único suporte, frente ao nada que, mesmo com pouca relevância, ainda nos cercava. Por um momento, nós dominávamos o mundo juntos na mesma decadência. O que antes se ingeria agora corroía tudo aquilo que pensávamos ser, já não estava mais condicionado pelos movimentos dos ponteiros, mas sim pela força com que nossas peles se chocavam, ambos bagunçados, desafiando perspectivas com risos que se repetiam numa sequência que desafiava todos os enunciados possíveis. Eu desejava, com bastante clareza, que tudo fosse respaldado pela mesma realidade que bombeia meu coração e lhe dá o direito de querer encapsular aquilo que te provoca. Intensificado e acelerado, fervorosamente apaixonado, eu o odiava por não olhar nos meus olhos, eu era o único querendo vencer num jogo onde brincar era o objetivo, eu era o único, mais uma vez, vivendo algo intrinsecamente disruptivo. Tentando canibalizar meus desejos com uma dentição insuficientemente bruta, me debatendo contra paredes e jurando a mim mesmo que não haveria mais nada a ser questionado, desde que minhas mãos estejam postas na presa.