Tento ser muitas coisas e felizmente falho nelas todas, assim, posso ser também aquilo que não sou. Rodopio por aí feito um pião, às vezes cambaleio para direita, às vezes para esquerda, mas nunca numa só direção. Eu sei que careço de definição e até mesmo de um plano de ação, minhas intenções e escolhas chegam geralmente a mim cobertas de neblina, numa camada fina de compreensão e, mesmo com poucos recursos, tento do meu eu não abdicar. Posso não saber quem sou, mas isso não dá direito a ninguém de escrever minha trajetória, não importa o quão íntimo tal indivíduo se ache em relação à minha imagem, ainda sim, será apenas a miragem provida de si que verá e não o conteúdo que costumo resguardar. Às vezes eu queria lhe indagar, sem responder, apenas questionar, como é perder tanto de si a ponto de precisar do outro para se posicionar? Na vida, no mundo, em todas as maneiras que há? Antes de, para mim escrever, tente pelo menos a si, endereçar.

