Cada dia sem você ao meu lado é um dia gasto da minha existência. Existência, palavra que contempla tantas coisas, mas nenhuma delas é equiparável à grandiosidade de seu nome nas entranhas da minha irracionalidade. Me sinto louco, devasso, embebecido por ti. Eu lhe ouviria por horas, lhe observaria por dias e mesmo assim não seria o bastante, pois essas são meras manifestações materiais da divindade que você é para mim. Talvez isso tudo fosse muito, talvez você procurasse algo mais leve, enfim. Eu que nunca tive nada, acabei tendo tudo ao te tecer em mim. Isso me rasga a pele e muitas vezes sangra. Às vezes, acho que irei morrer, mas morte mesmo é ter que viver o restante dessa vida ordinária sem você. Engraçado. São tantas palavras e nenhuma é capaz de alcançar a magnitude de poder e controle que você exerce sobre mim sem ao menos ter consciência. Nesse momento, estou ajoelhado diante de ti, mas nada lhe peço se não seu olhar. Seu olhar já me basta. Seu olhar me completa. Toda vez que as pupilas dos nossos olhos se encontram, eu atinjo o clímax da minha essência. É como se você enxergasse o que é e não o que parece ser. É como se eu tivesse vivido todo esse tempo vagando e ansiando pelo seu encontro. Queria agonizar em seus braços, ignorar toda efemeridade da vida e simplesmente, finalmente, poder descansar.

