Queria teu cheiro impregnado em mim, não aquele que vem de fora, mas o que escapa do núcleo, escrito em códigos súbitos. Na verdade, queria te ter em mim, e não dessa forma com você aí. Queria resquícios, líquidos, suor, calor, enfim. Quanto mais distante estou, mais anseio pelo seu odor. Foi assim que me ensinaste, me viciaste a desejar com toda liberdade. Já não consigo parar de pensar na sua fixação, pelo objeto localizado em suas mãos. Queria eu ser alvo de tamanha agitação, seus olhos estariam em mim como se eu fosse sua criação. Nessa brincadeira enquanto eu tivesse direcionada toda tua atenção, haveria também o prazer de estar sob dominação. Como se não bastasse essa deslocação, você também estaria encarregado da minha destruição. Pois eu fui formulado para ti e assim serei até meu fim, a utilidade se faz quando estou apto para ser devorado, quando a paixão não é nada mais, que o servir do meu coração num prato. Mas é porque te quero tanto que me dói. Queria eu, como mero mortal, permanecer enlaçado em seus braços pela finitude da minha vida terrena. Mas qual possibilidade de tocar em tamanha divindade? Me perdi entre a paixão e adoração e já não sei mais quem sou pois nada sou sem ti.

