25 de jun. de 2025

Minha honestidade é uma foice, bondades e moralismos são ceifados como se grama fossem. Diante de mim apenas eu e meu reflexo, para alem de mim tudo que há não é convexo. Me visto como sou porém não sou o que estou e sim o que restou de mim depois de ser o que precisava ser. Não tenho nada, nem ninguém, não temo nada nem poréns. Estou sozinho, no borbulho do meu orgulho e no auge da minha solidão, aqui nada me alcança e não devo nenhum sermão. Já não enxergo mais a realidade, já não acredito em verdades, já não há nada que possa invadir uma alma devastada como a minha. Eu aceito o poder que é ser inacabado, aceito tamanha insatisfação que me consome, sou sujeito do inexistível, sim, isso mesmo, viver é uma inexistência irresistível, é me tornar nada para os outros tantas vezes, que já não sei se devo ser algo. Quero bancar a vermelhidão dos hematomas que a vida presenteia, é horror, é sangue, é carne, é violência. Queria num suspiro me desfazer completamente e noutro montar no meu cavalo alado e partir em direção ao reinado daquilo que é mais sagrado, meu coração narcísico, minha partitura, meu pavor de mim, meu irreconhecível e devastado amor.

2 de fev. de 2025

Há uma paz em mim que ninguém pode tirar, eu desço dela para defendê-la através de uma chacina, mas não a perco. Esta não é alcançada com perdões nem sermões, ela é indulgente, astuta e por vezes rastejante. Sou cheio dela, sou cheio de certezas e esperanças que transbordam meu ser. Enquanto eu viver, haverei de ser a maior constatação da paz que há, porque todo desejo é um grande fluxo divino, todo puro desejo, livre de amarras e aparências, é pura representação desse divino. Não há nada que me invada sem minha permissão, não há nada que perfure meu próprio chão, eu sou antes de tudo ser algo, eu sou minha lei, eu sou o certo e sou o errado. A espada que perfura meu coração de dragão me liberta do magistério da sociedade, cortando falas e conselhos daqueles que buscam por salvação, e o fazem através de olhos e ouvidos que não são seus, compondo um grande coletivo embriagado e fazendo todos eles de si serem negados.

10 de dez. de 2024

Sendo altamente inflamável, deixo aqui minha constatação, não espere de mim misericórdia enquanto anseio por sangue. Posso sentir tamanha fervura e inquietação, o frenesi é real e uma vez iniciado não pode ser interrompido, ele precisa cumprir seu papel e o fará com maestria. Detenho reservas de crueldade para aqueles que menosprezo, não há remorso nem piedade, é a sensação de que nenhuma parede é fortificada o bastante contra esse impulso mortífero que emerge. Meu corpo físico ao mesmo tempo que se torna arma também se torna vítima desse poder destrutivo, e é tamanha a sede de justiça, que sou corrompido por uma febre doentia, me faço agressor e vítima, fogo e pólvora, carrego o decaimento, a dissolução de tudo que há e a deturpação da matéria, já não sou humano, sou arma, e ganho um novo propósito, meu alvo eliminar.